GREENWAY, Roger. Ide e fazei discípulos: uma introdução às missões cristãs. Tradução de Sônia Agreste. São Paulo: Cultura Cristã, 2001. Das páginas 111 à 205.

Sobre o autor

Roger Selles Greenway, era conhecido por seu envolvimento em missões mundiais, ministérios urbanos e ensino no seminário. Depois de estudar no Calvin College e no Seminário Teológico de Calvin, Greenway foi ordenado em 1958 e nomeado pelas Missões Cristãs Reformadas do Mundo para servir como missionário no que hoje é chamado de Sri Lanka. Em 1963, a família mudou-se para a Cidade do México, onde lecionou no Seminário Juan Calvino e depois fundou o Instituto Mexicano Bíblico, um instituto de formação de pastores urbanos e plantadores de igrejas. Completou seu Ph.D. em 1972, no Seminário Teológico Batista do Sudoeste. Lecionou no Seminário de Westminster. Lecionou missiologia mundial no Calvin Theological Seminary, em Grand Rapids, até sua aposentadoria em 2001. Greenway morreu em 30 de abril após os efeitos de um derrame sofrido em 2014.1

Divisão da resenha

O conteúdo abaixo foi organizado em tópicos para facilitar a leitura desta resenha em forma de artigo de blog, além de oferecer um meio de edificar o leitor com base nos assuntos abordados. 

Boa Leitura!

Divisão Da Obra

A presente obra é dividida em três partes. A primeira parte contêm três capítulos, a segunda oito, e a terceira nove capítulos, nos quais iremos nos ater. Eles são organizados com os seguintes títulos: Capítulo 12 – Os mistérios de oração, cura e exorcismo; Capítulo 13 – Desenvolvimento de liderança para o crescimento da igreja; Capítulo 14 – O desafio da urbanização; Capítulo 15 – Missões através de palavras e ações; Capítulo 16 – Pastores, evangelização e missões; Capítulo 17 – O sustento financeiro de missões; Capítulo 18 – A ética da evangelização e de missões; Capítulo 19 – Missões e a unidade entre os cristãos; Capítulo 20 – O preparo para tornar-se um missionário; E por fim, o autor finaliza com um apêndice falando acerca de como evangelizar e multiplicar igrejas.

Essência da Missão está na Pregação

O autor inicia o capítulo 12 observando alguma diferença entre os ministérios de Jesus e dos apóstolos mencionando a ênfase de sinais em cada ministério. Ainda observado o acerca dos ministérios, Paulo recebe a atenção do autor para a descrição da sua missão apostólica conforme o texto de Romanos 15.18–20, onde os sinais e milagres acompanhavam o ministério de Paulo. Contudo, o autor destaca que a ênfase dada pelo apóstolo não eram tais maravilhas, mas a pregação do evangelho.

Espiritualidade na Missão

Com relação aos sinais, o autor levanta a questão dos milagres nos dias de hoje e como os missionários devem lidar com casos de possíveis possessões. Em seguida, ele irá apresentar três observações sobre espíritos invisíveis e como isso afeta a vida humana, levando em conta que muitos não tratam a Bíblia com seriedade, contudo, fazem consultas espirituais de diversos tipos. Seu propósito é mostrar como a humanidade é portadora de um senso espiritual, e que os mais diversos tipos de igrejas pentecostais tem crescido por dar ênfase nessa área da vida humana.

Ao falar sobre a libertação das forças do mal, o autor menciona quatro verdades que fazem ligação com reino: Jesus é o Rei vitorioso, Ele é quem transforma vidas, liberta as pessoas, e que o trabalho de missões é um confronto de poderes. Com isso ele quer dizer que Jesus é o responsável por transformar as vidas das pessoas de modo poderoso e único.

Entretanto, é observado pelo autor que em cada hemisfério existe uma cosmovisão diferente acerca do mundo espiritual, e cada qual interpreta de modo diferente do que seria céu, inferno, anjos ou demônios. Em meio a esses desafios de conhecimento, Greenway observa os fracassos missionários por falta de conhecimento quanto ao assunto batalha espiritual, pois, muitos missionários não estão preparados para essa realidade presente em diversos povos.

O autor conclui este capítulo falando da oração como sinal de reavivamento. Também que a revelação já foi entregue através da Bíblia e, tudo o que foge a essa premissa deve ser rejeitada, pois não provêm do Espírito Santo e que a glória de Deus deve ser o alvo.

Crescimento e Liderança

No capítulo 13, o autor apresenta como foco o desenvolvimento de lideranças da igreja. Ele alerta para o crescimento rápido em algumas partes, onde a liderança não está apta a servir de modo efetivo, pois, existe uma escassez de pastores capazes para organizar e liderar novas congregações e não há treinamento para seus membros. Porém, ele destaca a importância de se formar líderes locais que possam agir em dependência do Espírito Santo, das Escrituras e da Graça de Divina.

A chave para o crescimento espiritual de uma igreja é a obediência, no entanto, esse crescimento não é restrito aos números, mas especialmente para o crescimento espiritual. No entanto, é necessário entender o significado do reino de Jesus para acessar uma comunidade a fim de transformá-la pelos valores bíblicos.

Paulo é um bom espelho para a formação de líderes, pois ele foi um plantador de igrejas, atuando como missionário itinerante. As igrejas plantadas por ele cresciam porque ele havia preparado homens responsáveis para conduzirem a igreja. Por isso, os líderes devem possuir certas qualidades como o autor destaca: visão tenacidade, integridade, excelência e desejo de servir. Além disso, é necessário estar atento aos que demonstram possuir dons espirituais. Assim, também, a oração deve fazer parte da rotina do líder e dos seus liderados.

O autor alerta para a necessidade de que o missionário deva abrir mão de algumas funções que ele assumiu durante o plantio da igreja, pois em algum momento as funções devem ser substituídas.

Missões Urbanas

No capítulo 14 o autor chama a atenção para o crescimento migratório em direção as cidades. Seu alerta é propício por causa do desafio missionário devido ao tamanho, influência e necessidade que uma cidade oferece. As pessoas novas na cidade enfrentam grandes dificuldades como, falta de lugar, falta de dinheiro e, então, passam a viver em situações precárias. De acordo com Greenway, essas pessoas se tornam abertas para o evangelho, por isso, ele afirma que, temos uma responsabilidade para com elas, já que somos missionários de Cristo.

Em seguida, ele alerta para os problemas práticos nas missões urbanas e discorre brevemente sobre eles: a pobreza; diversidade racial, ética e cultural; pluralismo religioso; atitudes anti-urbanas; custo financeiro, este último é descrito pelo autor como o maior problema para as agências missionárias.

Seguindo o capítulo, Greenway fala diretamente para o cristão que deseja fazer a vontade de Deus, afirmando que há um propósito divino que requer uma resposta do seu povo. Ele diz isso em relação ao crescimento das cidades em todo o mundo, onde as pessoas carecem de conhecer a Cristo. Com isso o autor irá pontuar que a chave para atender ao “ide” de Jesus é a disposição, entendendo que para isso, o desenvolvimento espiritual do cristão deve ser colocado em primeiro lugar.

Por conseguinte, ele orienta o cristão que estiver disposto em atender ao ide, mostrando que é importante desenvolver algum tipo de trabalho missionário urbano. Deve também se dedicar à leitura de livros e artigos relacionados a área missionária. O aspirante a missão deve investigar alguma cidade de modo particular para conhecer suas áreas de desenvolvimento e necessidades.

Pregação e Ação

No capítulo 15 o autor irá abordar a missão por meio das palavras e ações e mostrar como esses elementos são fortes e importantes ao ponto de abrir portas. A pregação e a ação são atitudes bíblicas e devem ser vistas como necessidades espirituais e materiais do homem e, por isso, não devem ser ignoradas. Aquele pois, que ignora essas necessidades deve ser considerado inimigo de Cristo e do seu reino porque o homem é criado a imagem de Deus.

Acerca do reino, o autor explica que “a vida do reino é uma vida de verdade, justiça, misericórdia e amor” (p. 141). O sentido de tais palavras é apresentar um ambiente diferente, promovido por atitudes e palavras diferentes. Ou seja, cada indivíduo é responsável por refletir uma mudança nas áreas da sua vida individual, familiar e comunitária.

Conselhos aos missionários

Ainda no capítulo 15, o autor irá propor a aplicação de conselhos sobre missões nas quais destacaremos algumas: Cristo deve ser exaltado por nossos atos; O missionário não deve desconsiderar ninguém; A dependência extensa da providência do dinheiro; O alvo deve ser a plantação e o desenvolvimento de igrejas que preguem a Palavra e demonstram compaixão pelos pobres; O missionário não deve tirar vantagem da pobreza para atrair ninguém à sua religião.

Assim, entendemos que a tarefa missionária possui seus desafios e que o exemplo deve ser forte para testificar a unidade e o amor entre o corpo de Cristo. Essas atitudes serão responsáveis para transpor as barreiras da língua, raça, nacionalidade e cultura.

Pastores na Missão

No capítulo 16, o autor coloca o foco na atuação dos pastores na missão. Pastores são os referenciais da igreja, por isso eles deveriam desenvolver paixão por missões. Todavia, ele reconhece que muitos não têm essa visão missionária e ignoram a verdadeira missão da igreja que é anunciar Cristo ao mundo. Pastor que não tem um coração missionário não conduzirá a igreja no seu papel evangelístico.

Segundo Greenway, o pastor falha quando não inflama o coração da congregação a partir do púlpito, sendo assim, os membros também não sentem a necessidade de comunicar o evangelho.

Sabendo dessa falha evangelística, o autor procura inspirar os pastores apresentando Jesus como o Grande Pastor e modelo a ser seguido. Jesus evangelizou, liderou e preparou os seus discípulos para alcançar os perdidos. Essa é a função do pastor na caminhada cristã. As pessoas não vêm, é necessário buscá-las, pois há ovelhas que já estão no aprisco, mas outras ainda não.

Sustento Missionário

Greenway dedica o capítulo 17 para falar das dificuldades que os missionários enfrentam, especialmente o sustento do missionário. O sustendo diário como comida, moradia e necessidades básicas são abordados pelo autor. O sustento pode aumentar se o missionário tiver esposa e filhos. Existem outras despesas como os deslocamentos necessários. Além desses, a aquisição de Bíblias, literaturas e demais materiais que podem ser usados na proclamação do evangelho.

Os missionários podem ter emprego, porém, nem sempre essa porta é tão simples como pode parecer. Existem casos em que o missionário é proibido de falar do evangelho no local de trabalho ou se dispor de tempo livre para exercer o evangelismo fora do local de trabalho. Em alguns países o estrangeiro não pode ser empregado, nesse caso, o missionário é totalmente dependente da ajuda que vem de fora.

O sustento é um princípio bíblico tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. O apóstolo Paulo enfrentou dificuldades como missionário, pois muitas igrejas não tinham atentado para essa necessidade, enquanto que outras foram preciosas no sustendo do apóstolo conforme descrito em Filipenses 4.10–20. Nessa passagem o autor destaca algumas lições importantes no sustento do missionário.

Deve haver organização no sustento do missionário para que o mesmo não seja deixado ao leu pela igreja; 2. Esse sustento deve ser coletado de modo eficiente e responsável; 3. Deve ser uma resposta voluntária da igreja; 4. Deve ser vasto. A igreja precisa aprender que o missionário não deve viver na miséria ou sofrendo escassez só porque é um missionário; 5. Deve ser constante, pois o missionário também possui despesas; 6. E como destaque final da lição da passagem, o autor afirma que o apoio ao missionário é um investimento espiritual, sendo uma oferta primariamente a Deus e não aos homens.

Existem diversos sistemas de apoio financeiro ao missionário. Contudo, cabe a igreja descobrir e desenvolver o melhor sistema disponível de prestar esse apoio.

Ética nas Missões

O autor destina o capítulo 18 para falar da ética da evangelização e de missões. Sabendo que as pessoas por diversas vezes se sentem invadidas ao ouvirem acerca do evangelho, o autor propõe alguns ensinamentos para capacitar o missionário no papel evangelístico. No entanto, é importante lembrar que a oposição sempre fez parte da história contra o evangelho. Jesus e Paulo enfrentaram oposições e vários cristãos passaram por oposições ao ao longo dos séculos.

Contudo, Jesus ordenou a proclamação do evangelho de modo ético, sendo a pregação clara e honesta. Portanto, a metodologia da missão deve seguir esses padrões e fugir do pragmatismo. O motivo para isso não é evitar críticas, mas honrar a Deus. A conversão ao cristianismo em algumas culturas pode promover graves complicações entre famílias e a sociedade, isso leva a seguinte questão: seria ético evangelizar? Contudo, afirma Greenway, o que seria anti-ético é não evangelizar, pois a “evangelização e missão é uma obrigação ética” (p. 167).

Missionários como pacificadores

No capítulo 19, Greenway aborda o tema de missões e a unidade entre os cristãos. Assim como Jesus foi o “Grande Pacificador” entre Deus e os homens, os missionários são chamados para serem pacificadores num mundo cheio de ódio.

O cristianismo tem unido povos de todos os lugares do mundo. A unidade entre os fiéis fortalece a proclamação do evangelho, porém, a desunião prejudica a força da proclamação, por isso, o autor faz fortes críticas as divisões entre cristãos. O autor deixa claro que é papel do missionário pregar que há somente um Criador e que toda raça humana é pecadora e somente poderá ser salva por meio da fé em Cristo. Essa fé é que une todos ao corpo de Cristo.

O autor usa vários fatos de desunião como exemplos para mostrar como eles são prejudiciais à igreja. Ele também faz um paralelo com os conflitos da igreja do Novo Testamento e como eles afetaram de modo negativo a igreja do Senhor.

Para evitar que erros como esses continuem atrapalhando o crescimento da igreja, o autor deixa várias instruções para os missionários e outros líderes. Ele pontua cinco atitudes importantes e conclui que soluções perfeitas são raras, todavia, é dever zelar pela união com paciência e amor nas questões que não afetam a doutrina da Palavra.

O autor reconhece que manter a unidade não é tarefa fácil, especialmente num ambiente transcultural, porém ele lembra que Satanás é o enganador e o responsável por causar divisões. No entanto, é obrigação da igreja orar pela unidade e sua preservação.

Preparo Missionário

Encerrando o livro, o capítulo 20 irá tratar sobre o preparo do missionário. Greenway entende que seguir a Cristo é um chamado geral aos cristãos, no entanto, salienta que há várias tarefas dentro desse chamado. Por isso, duas perguntas importantes são feitas: Qual a qualidade do seu trabalho? Sua obra irá permanecer ou ruirá em tempos de crise? A partir daí, o autor irá apresentar algumas ferramentas para que a obra missionária tenha maior êxito.

Ferramentas para o Missionário

A primeira ferramenta é ter uma vida espiritual forte, regrada pela leitura bíblica , oração, adoração e comunhão com Deus. A segunda é o amor pelas pessoas. Mesmo que amar não seja fácil, é necessário desenvolver esse sentimento com a graça divina, pois ele é essencial. Em terceiro lugar, uma ferramenta indispensável é uma teologia bíblica de missões. O propósito de alcançar pessoas para Cristo será melhor executado se houver uma base sólida das Escrituras.

Uma quarta ferramenta é estabelecer alvos e estratégias. É um erro pensar que os planos são desnecessários. É preciso estabelecer metas, seguir métodos lógicos para alcançar os objetivos. Em quinto lugar, o autor destaca como ferramenta o treinamento e experiência em algumas áreas específicas, tais como: evangelização pessoal; evangelização organizada; pequenos grupos de estudos bíblicos; aconselhamento e ensino de novos discípulos; organização da igreja e de seus ministérios; desenvolvimento de líderes; e ajuda aos pobres.

Em sexto lugar está a adaptação em outras culturas e sociedades. O sucesso do missionário dependerá da sua capacidade de caminhar dentro das diferenças culturais sem faltar com respeito. Em sétimo lugar entra a questão do casamento. É necessário que o cônjuge também seja comprometido com a missões. Outro aspecto também importante é considerar os filhos por causa de suas necessidades. Uma falta de planejamento familiar pode interromper o processo missão.

Em último lugar, o autor destaca os dons e a personalidade do missionário. É importante que o missionários conheça seus dons antes de ir para o campo, qual o tipo de trabalho ele se desenvolve mais.

A obra de Greenway é finalizada com um apêndice bastante relevante para o seu leitor. Ele destaca alguns passos importantes para a evangelização, plantação e multiplicação de igrejas: Começar com um estudo bíblico; Visitar os lares; Iniciar uma classe de discipulado; Batizar os crentes e todos os de sua casa, se possível; Organizar uma igreja; Prover para a vida e crescimento da igreja.