Introdução aos Atributos de Deus
Os atributos de Deus revelam a sua natureza, seu caráter e poder. Todavia, a grandeza de Deus não está limitada a mente humana. Logo, nenhum conhecimento acerca de Deus pode ser absoluto. Contudo, o que se pode conhecer de Deus foi por ele mesmo revelado nas Escrituras.
Neste post buscaremos conhecer um pouco mais dos atributos divinos e como eles se relacionam conosco.
Conceito dos Atributos de Deus
De acordo com Gerald Bray:
Os atributos de Deus são descrições reveladas por Deus de sua própria natureza e caráter. Eles são únicos a ele porque ele é único[1].
Conforme citado acima, os atributos divinos são revelações da natureza e caráter de Deus, sendo exclusivos a ele. Contudo, a essência de sua natureza foi concedida ao homem pelo próprio Deus, para que esse pudesse expressar a imagem do Criador.
Quando mencionamos que essência da natureza divina foi atribuÃda ao ser humano, queremos dizer que foi o próprio Deus quem colocou porções do seu caráter na humanidade (cf. Gn 1.26).
Todavia, essa natureza foi corrompida pelo pecado e a humanidade é incapaz de expressar a plenitude do caráter de Deus como deveria.
Os atributos compartilhados por Deus são qualificados como Comunicáveis, enquanto que os demais atributos são de caráter exclusivo de Deus. Esses são qualificados como Incomunicáveis.
Atributos Comunicáveis e Incomunicáveis de Deus
Para facilitar a nossa compreensão sobre o assunto, podemos dizer que os atributos comunicáveis de Deus são aqueles que Deus compartilhou com o seu povo, enquanto que os atributos incomunicáveis são atribuições exclusivas de Deus.
Os atributos comunicáveis são, por exemplo: amor, bondade, mansidão, santidade, ira e fidelidade, entre outros. Já os incomunicáveis são de caráter exclusivo de Deus, como: onisciência, onipresença, eternidade, imutabilidade, entre outros.
Os atributos comunicáveis de Deus foram atribuÃdos ao ser humano para que esse pudesse espelhar a imagem da santidade de Deus. Ademais, os incomunicáveis nos foram revelados apenas para temermos a Deus e pela responsabilidade de proclamá-los ao mundo, mas não para ser parte do homem.
Assim, enquanto os atributos comunicáveis devem ser espelhados no mundo, os incomunicáveis devem ser proclamados ao mundo.
Dos comunicáveis
Os atributos comunicáveis foram transmitidos em certa medida por Deus ao homem, todavia, por causa do pecado, o homem se tornou incapaz de refletir esses atributos de modo excelente.
Porém, tais atributos transmitidos ao ser humano se tornaram uma exigência do próprio Deus para serem espelhados pelo cristão.
Vejamos alguns desses atributos que Deus exige que o cristão corresponda a eles.
Santidade
A Escritura revela o caráter santo de Deus. Assim diz:
Diziam em alta voz uns aos outros: "Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia de sua glória!" (Is 6.3);
Agora, porém, sejam santos em tudo que fizerem, como é santo aquele que os chamou. Pois as Escrituras dizem: "Sejam santos, porque eu sou santo" (1Pe 1.15-16, cf. Lv 20.7).
De acordo com os versos, a santidade faz parte da natureza de Deus e ele mesmo exige que o cristão espelhe a natureza santa que lhe foi atribuÃda.
Perdão
O perdão também é um atributo de Deus, o qual ele exige que o cristão exerça para que seja igualmente perdoado.
Contigo, porém, está o perdão, para que te temam (Sl 130.4); Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralÃtico: Filho, os teus pecados estão perdoados (Mc 2.5).
A Escritura ordena que o perdão seja algo prático na vida cristã:
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; 15 se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas (Mt 6.14–15).
Conforme os versos mencionados, o perdão está em Deus. Contudo, deve ser praticado pelo cristão para que a graça do perdão seja derramada sobre ele mesmo.
Ira
A ira é outro atributo que Deus compartilhou. No entanto, esse é um atributo que muitos cristãos encontram dificuldades para exercer com sabedoria, assim como o perdão. Entretanto, eles têm o propósito de revelar o caráter de Deus em nós.
Queixou-se o povo de sua sorte aos ouvidos do SENHOR; ouvindo-o o SENHOR, acendeu-se-lhe a ira, e fogo do SENHOR ardeu entre eles e consumiu extremidades do arraial (Nm 11.1); Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de vÃboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? (Mt 3.7).
Outros textos:
e disseram aos montes e aos rochedos: Caà sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se? (Ap 6.16–17);
Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai (Sl 4.4); Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira (Ef 4.26); Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus (Tg 1.20).
Os textos apresentados revelam que Deus se ira. Também revela que Deus instruiu o homem quanto a administração da mesma.
Inclusive, o texto de Tiago reflete com clareza que o pecado impede que os atributos comunicáveis de Deus sejam espelhados com perfeição pelo homem.
Porém, em Deus, todos os atributos são absolutamente perfeitos. A ira de Deus é santa porque exerce o seu caráter de justiça.
Como observado, os atributos comunicáveis foram concedidos ao homem para espelhar a natureza de Deus. Contudo, por causa do pecado, o homem falha em alguns pontos no cumprimento dessas obrigações, e por isso, deve buscar crescer espiritualmente para o exercÃcio de suas obrigações de fé.
Ainda há outros atributos que são qualificados como comunicáveis, tais como: amor, misericórdia, fidelidade entre outros.
Dos Incomunicáveis
Enquanto os atributos comunicáveis de Deus foram atribuÃdos ao homem, o mesmo não acontece com os incomunicáveis. Esses são exclusivos ao ser de Deus.
Os atributos incomunicáveis foram revelados ao homem por meio das Escrituras, para fazer Deus conhecido e temido, a fim de que a sua grandeza, natureza, caráter e poder sejam proclamados ao mundo.
Consideremos alguns desses atributos exclusivos de Deus, aos quais devem ser proclamados:
Onisciência
Onisciência significa que Deus conhece todas as coisas. Nenhum pensamento, ação ou qualquer coisa que seja, está fora do conhecimento do Senhor Deus.
SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à lÃngua, e tu, SENHOR, já a conheces toda (Sl 139.1-4).
A mim me veio, pois, a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saÃsses da madre, te consagrei, e te constituà profeta à s nações (Jr 1.4–5).
Tal atribuição é exclusiva do ser de Deus, pois conforme a BÃblia revela, somente Deus conhece o interior do ser humano, seus desejos e pensamentos.
Imutabilidade
Esse atributo diz respeito a permanência dos planos e decretos de Deus, bem como o cumprimento da Sua Palavra.
Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá? (Nm 23.19); Tu, porém, és sempre o mesmo, e os teus anos jamais terão fim. (Sl 102.27). Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos (Ml 3.6).
Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança (Tg 1.17).
O ser humano sempre muda de opinião ao longo do tempo. Pode-se dizer que o homem definitivamente não possui o atributo da imutabilidade, sendo, portanto, de natureza e caráter exclusivos a Deus.
Infinidade
Berkhof define esse atributo como “a perfeição de Deus pela qual ele é isento de toda e qualquer limitação”. [2]
De acordo com Berkhof, Deus não possui qualquer tipo de restrição ou obstáculo que o limite. Nesse sentido, podemos observar que as Escrituras mencionam a abrangência do poder e conhecimento de Deus, nas passagens como segue:
Grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado; a sua grandeza é insondável (Sl 145.3).
Outros textos:
- Porventura, desvendarás os arcanos de Deus ou penetrarás até à perfeição do Todo-Poderoso? Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás fazer? Mais profunda é ela do que o abismo; que poderás saber? A sua medida é mais longa do que a terra e mais larga do que o mar. Se ele passa, prende a alguém e chama a juÃzo, quem o poderá impedir? (Jó 11.7-10).
- Conta o número das estrelas, chamando-as todas pelo seu nome. (Sl 147.4).
- A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? —diz o Santo. Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome; por ser ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar. (Is 40.25-26).
- Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juÃzos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! 34 Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? 35 Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituÃdo? (Rm 11.33-35).
Conforme a BÃblia relata, o conhecimento de Deus não é limitado e não pode ser conhecido do homem além daquilo que ele mesmo se propôs a revelar por meio das Escrituras. Seu conhecimento é sem limites e poderosos.
O Criador possui outros atributos incomunicáveis apresentados pela BÃblia, como: Soberania, onipotência, onipresença e outros.
Conclusão:
Assim, conhecemos um pouco dos atributos comunicáveis e incomunicáveis de Deus e sua relação conosco que é a de espelhá-los e anunciá-los.
Os atributos comunicáveis de Deus são aqueles que o próprio Deus repartiu com a humanidade, como o amor e a misericórdia. Esses atributos são perfeitos em Deus, mas imperfeitos no homem por causa do pecado.
Embora o cristão tenha a responsabilidade de proclamar os atributos incomunicáveis, esses pertencem exclusivamente a natureza e caráter de Deus, como a onisciência e a infalibilidade.
Portanto, sejamos proclamadores dos atributos divinos, tanto os comunicáveis como os incomunicáveis, haja vista que o Criador é o Todo-Poderoso, a quem pertence toda honra e glória.
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[1] Gerald Bray, “Atributos de Deus”, in Sumário de Teologia Lexham, org. Brannon Ellis, Mark Ward, e Jessica Parks. Bellingham, WA: Lexham Press, 2018.
[2] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Tradução de Odayr Olivetti, 4. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2012, p. 59.
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